Saber como captar recursos para o turismo é o maior desafio de gestores e empreendedores. A reclamação de que “nunca tem dinheiro” é a mais comum que escuto.
Contudo, essa realidade pode mudar se você souber onde procurar. O Ministério do Turismo acabou de lançar a Cartilha Parlamentar 2025-2026. Este documento é o mapa oficial para destravar investimentos.
Porém, a cartilha não é uma leitura simples. Ela precisa ser “traduzida” para a realidade do seu município. Ela está escrita no português claro, mas é cheia de termos técnicos e códigos. Muita gente desiste na primeira página. Eu estou aqui para simplificar esse caminho para você.
Vou te mostrar como usar essa cartilha de forma estratégica. Você vai entender quem pode pedir o dinheiro. Além disso, você vai descobrir o papel fundamental do seu COMTUR em todo esse processo.
A Cartilha Parlamentar não é só para políticos
A primeira coisa que você precisa entender é: essa cartilha não é só para deputados e senadores. Ela é, sim, direcionada a eles para orientar a destinação de emendas. Mas quem vive o turismo no território tem a obrigação de ler.
Este documento define as regras do jogo. Ele mostra quais tipos de projetos o governo federal prioriza. Também indica os valores mínimos para cada ação. Ler a cartilha é a sua “tarefa de casa” básica.
Sem entender essas regras, você corre o risco de gastar meses escrevendo um projeto. Um projeto que talvez nem seja elegível, ou que peça um valor abaixo do mínimo exigido.
Quem pode captar recursos?
Aqui está o primeiro mito que precisamos quebrar. Muitos gestores e empresários param de agir. Eles acham que só a prefeitura pode pedir verba estadual e federal. Isso está completamente errado. A nova cartilha deixa isso muito claro.
Obviamente, os entes públicos são proponentes importantes. Mas eles não são os únicos. A cartilha abre um leque de oportunidades enorme para a sociedade civil organizada. Isso é fundamental para dividir responsabilidades e tira um peso gigantesco das costas do gestor público. Além disso, mostra que o trade turístico precisa parar de apenas cobrar a prefeitura. O setor deve começar a agir como protagonista.
O caminho 1: entes públicos (Prefeituras e Consórcios)
O caminho mais tradicional para captar recursos para o turismo é via prefeitura. Projetos de infraestrutura, por exemplo, são focados em entes públicos. A cartilha detalha isso na Ação 10VO. Isso inclui Municípios, Estados, Distrito Federal e Consórcios Públicos.
Eu trabalhei na gestão pública e me apaixonei pela ferramenta do consórcio intermunicipal. É muito mais fácil conseguir uma emenda parlamentar para um projeto que beneficia vários municípios juntos. Os parlamentares enxergam um impacto regional maior. Verifique se sua cidade já faz parte de um consórcio.
Claro, para isso, o CNPJ do ente público (prefeitura, consórcio) precisa estar “redondinho”. Muitos possuem dívidas, e ficam impedidos de receber transferências voluntárias da União. Ter as certidões negativas em dia é o passo zero para a gestão pública.
O Caminho 2: Associações e OSCs
Agora, preste atenção nesta oportunidade de ouro. A cartilha traz ações focadas em “Experiências do Brasil” e “Afroturismo” (Rotas Negras). Nesses casos, o público-alvo é muito mais amplo. Você não depende só da prefeitura.
Além dos entes públicos, podem inscrever projetos: Instituições de Ensino e Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Sim, a sua associação turística, a sua IGR (Instância de Governança) ou uma ONG local com CNPJ podem ser proponentes. Isso significa que o trade pode e deve se organizar para captar diretamente.
Eu já estive do lado da prefeitura, naquele “teto de vidro” que só recebe pedrada. O setor privado precisa assumir sua corresponsabilidade. A captação de recursos é uma delas.
O papel estratégico do COMTUR
Recebi uma mensagem excelente no WhatsApp de uma turismóloga e presidente de COMTUR. Ela disse: “Luiza, a prefeitura está atuando, o Sebrae está ajudando, mas nós não sabemos qual é o nosso papel. O que o COMTUR faz?”.
Muitos pensam: “O COMTUR não tem CNPJ, então não pode captar”. Você tem razão. O conselho não vai assinar o convênio. Mas o papel do COMTUR é talvez o mais estratégico de todos. O COMTUR é o “cérebro” da captação no município.
O conselho é o espaço legítimo para definir as prioridades do território. É nele que deve ser lida e discutida a Cartilha Parlamentar. Ele é quem deve organizar os projetos e decidir o que será priorizado.
Do “conselho morto” ao conselho organizador
Um COMTUR que não sabe para onde está caminhando, vai definir projeto para quê? Essa é a primeira pergunta que eu faço. Se o conselho não tem um planejamento mínimo, ele vira um “Conselho Morto de Turismo”.
O conselho estratégico debate a cartilha na reunião. Ele define o foco: “vamos priorizar a infraestrutura? Então o projeto será da prefeitura; vamos focar em formatar experiências? Então vamos articular uma associação parceira para ser a proponente.”
É o COMTUR que faz essa articulação. Ele evita, por exemplo, que três projetos de sinalização iguais sejam escritos, como eu já vi acontecer. Ele organiza a demanda e otimiza os esforços.
O CNPJ redondinho
Não adianta ter um projeto incrível se a associação proponente não estiver “redondinha”. Esse é o “Passo Zero” que eu mencionei em uma das minhas lives. O CNPJ precisa estar ativo. As obrigações fiscais e estatutárias precisam estar em dia.
O estatuto da associação também é vital. Ele precisa prever o recebimento de recursos públicos. Às vezes, é o caso de criar uma nova associação já pensando nisso.
Antes de gastar meses escrevendo um projeto, o COMTUR deve liderar esse checklist documental. Verifiquem a saúde do CNPJ da prefeitura. Verifiquem as associações parceiras. Sem isso, o projeto morre na primeira análise documental.
Não basta escrever o projeto, é preciso articulação
Outro grande gargalo é a falta de articulação. Eu vejo projetos tecnicamente perfeitos que são recusados. Por quê? Faltou “vender” o projeto. Não adianta enviar 50 folhas de papel e esperar que o dinheiro caia na conta.
Você precisa defender sua ideia para o parlamentar. Mostre os indicadores de impacto. Explique como o projeto vai gerar emprego e renda na base. O setor público está se profissionalizando, mas a articulação política é fundamental.
Não estou falando de politicagem. Estou falando de política: a capacidade de conversar, negociar e mostrar o valor do que você está propondo.
Crie um banco de projetos
Os prazos dos editais e das emendas são sempre curtos. Não dá para ter a ideia e começar a escrever o projeto do zero quando o prazo abre. Você precisa se antecipar.
Minha dica de ouro é: crie um banco de projetos no seu município. Você, gestor, conselheiro, empresário: teve uma ideia? Registre a ideia imediatamente. Desenvolva uma estrutura básica: objetivos, público-alvo, justificativa, orçamento estimado.
Quando a oportunidade (como essa cartilha) aparecer, seu projeto já está 80% pronto. Você só vai precisar atualizar os dados, o orçamento e adequar ao edital. Você não vai começar do zero.
O dinheiro existe, mas exige método
Como vimos, captar recursos para o turismo é totalmente possível. A Cartilha Parlamentar é uma ferramenta pública e cheia de oportunidades. Mas ela exige organização, método e proatividade de todos os atores.
Parou a reclamação de que “nunca tem dinheiro”. A oportunidade está na mesa. Cabe a você, como líder do turismo no seu território, se organizar para acessá-la, seja via prefeitura, consórcios ou associações.
O COMTUR é o ponto de partida ideal para essa organização. Se o seu conselho ainda está fraco, ou se você nem sabe por onde começar a estruturá-lo, eu posso te ajudar a construir essa base sólida.
Eu compilei todo o meu método de anos na gestão pública e em consultorias no Guia Completo do COMTUR. Ele é o manual prático para você criar, reativar e fortalecer o conselho da sua cidade, transformando-o em um motor de desenvolvimento.
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