Por que a Cultura é a melhor sócia que o Turismo pode ter em 2026

Existe um erro estrutural que eu vejo em 9 entre 10 prefeituras e conselhos empresariais: o divórcio entre a Secretaria de Turismo e a Secretaria de Cultura.

Geralmente, elas funcionam em prédios separados, com orçamentos separados e, pior, com visões concorrentes. O Turismo acha que a Cultura é apenas entretenimento ou gasto a fundo perdido. A Cultura acha que o Turismo quer mercantilizar a arte e descaracterizar a identidade.

Enquanto essa briga de egos acontece, quem perde é o município.

Para 2026, a tendência global é clara: o viajante não quer mais apenas ver lugares. Ele quer sentir o lugar. E quem fornece a matéria-prima da emoção, da gastronomia e da identidade é a Cultura.

Se você quer blindar o seu destino contra crises e sazonalidade, está na hora de entender o conceito de Turismo Integrado. A Cultura não é prima pobre do Turismo; ela é a sócia majoritária da experiência.

1. Economia criativa: o combustível da identidade

Turismo sem cultura é apenas logística (transporte + hotel). O que faz alguém escolher o seu município e não o vizinho é a identidade cultural.

Estamos falando da Economia Criativa. Quando você integra o artesanato local, a música de raiz e o folclore na cadeia produtiva do turismo, você cria um produto único, impossível de ser copiado.

Um hotel que oferece café da manhã “de padaria” é apenas um hotel. Um hotel que oferece o “café colonial com receitas dos imigrantes locais”, servido em cerâmica produzida pelos artesãos da cidade, vira uma atração turística.

Integrar cultura é agregar valor monetário ao serviço. É deixar de vender preço para vender história.

2. A vacina contra a sazonalidade 

Este é o maior pesadelo do gestor: a cidade lota em janeiro e vira um deserto em maio. O hotel demite, o restaurante fecha.

A infraestrutura turística (praia, cachoeira, montanha) geralmente é estática e depende do clima. A Cultura, por outro lado, é dinâmica e controlável.

Eventos culturais são a ferramenta mais eficiente para quebrar a sazonalidade.

  • Está chovendo e não dá para ir à praia? Um Festival Gastronômico resolve.
  • É mês de baixa procura? Um Festival de Jazz e Blues ou uma Feira Literária atrai um público qualificado que gasta mais que o turista de massa.

O Turismo Integrado usa o calendário cultural estrategicamente para tapar os buracos da ocupação hoteleira.

3. Dinheiro novo: o poder dos projetos híbridos

Aqui está o pulo do gato para a captação de recursos em 2026.

Essas leis injetaram bilhões nos municípios e permitem projetos que fomentam a cadeia audiovisual e cultural.

A estratégia inteligente: em vez de criar um vídeo institucional chato da prefeitura, use a verba da LPG para financiar um documentário sobre as lendas locais. Isso é cultura, mas o resultado final é uma ferramenta poderosa de marketing turístico.

Projetos híbridos, que unem o fomento cultural à infraestrutura de recepção turística, são vistos com ótimos olhos pelos avaliadores de editais, pois mostram otimização do dinheiro público e impacto transversal.

4. O pecado do improviso: por que planejar com 1 ano de antecedência?

Não existe turismo cultural de última hora.

Vejo prefeitos anunciando a data do aniversário da cidade ou do festival de música faltando 30 dias para o evento. Isso não é turismo, é festa para morador.

Para que o evento traga dinheiro novo (turistas de fora), ele precisa entrar na prateleira das agências de viagens e na agenda das famílias. Isso exige previsibilidade.

No Turismo Integrado, o Calendário de Eventos de 2026 deve estar fechado e divulgado até novembro de 2025.

  • O operador turístico precisa de tempo para montar pacotes.
  • O turista precisa de tempo para marcar férias e, quem sabem, parcelar a viagem.

Sem planejamento de longo prazo, você gasta dinheiro público com show, mas não gera ocupação hoteleira nem ticket médio no comércio.

A união que gera lucro e legado

Unir Turismo e Cultura não é apenas bonito no discurso. É uma estratégia de sobrevivência de mercado.

A Cultura ganha público, palco e sustentabilidade financeira. O Turismo ganha conteúdo, alma e fluxo de visitantes o ano todo.

Para 2026, convido você, gestor, a derrubar as paredes (físicas e mentais) entre essas duas secretarias. Monte uma mesa de trabalho única. O resultado vai aparecer no ISS, na geração de empregos e, principalmente, no orgulho da comunidade local.

Quer aprender a financiar essa integração?

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