Turismo não se faz sozinho: como despertar o interesse das lideranças locais?

O turismo não se faz sozinho. Essa é uma verdade que ecoa em muitos territórios: empreendedores cansados de lutar sozinhos, gestores públicos falando para cadeiras vazias nas reuniões do Conselho de Turismo (COMTUR) e associações que tentam criar produtos, mas não encontram parceiros. Se essa realidade soa familiar, saiba que existe um caminho estratégico para mudar esse cenário.

A resposta não está em simplesmente falar mais sobre turismo, mas em seguir um processo estruturado de engajamento. Inspirado em uma discussão aprofundada sobre o tema, este guia prático detalha a jornada completa, desde despertar a primeira fagulha de interesse até garantir a continuidade dos projetos.

Seja você um empreendedor, um conselheiro ou um gestor, entenda as etapas práticas para trazer as pessoas certas para a mesa. Porque sim, o turismo não se faz sozinho, e você não precisa mais caminhar só.

Um Processo de 6 Etapas

O desenvolvimento turístico se assemelha a uma escada, onde cada degrau prepara o terreno para o próximo. Pular etapas ou começar pelo meio raramente funciona. A seguir, vamos detalhar o caminho completo, da sensibilização à apropriação.

1. Sensibilização

O primeiro passo é conectar. E para isso, você precisa falar a língua das suas lideranças. Uma palestra genérica não sensibiliza. É preciso mostrar como o turismo impacta diretamente a realidade de cada setor.

Mapeie seus stakeholders: antes de tudo, identifique as “partes interessadas” (stakeholders): os atores do poder público, do setor privado e do terceiro setor.

Vá até onde o interesse está: se as lideranças não vêm até você, vá até elas. Essa é a regra de ouro.

Exemplo prático 1 (Segurança Pública): a Polícia Militar não apareceu na sua palestra? Peça 15 minutos na reunião do Conselho de Segurança. Mas não fale sobre “turismo” de forma vaga. Leve uma pauta direcionada:

  • Dados de ocorrências em atrativos turísticos.
  • Mapeamento de atrativos que precisam de mais vigilância.
  • A importância do bom atendimento e orientação ao turista pela guarda local.
  • Como o fluxo de veículos de turistas pode ser monitorado.

Exemplo Prático 2 (Setor Empresarial): quer o apoio da Associação Comercial e Industrial? Na reunião da diretoria, com grandes empresários do comércio e da indústria, mostre como o turismo aquece a economia local, gera empregos indiretos e aumenta o consumo nos seus estabelecimentos, mesmo que o negócio principal deles não seja o turismo.

O poder dos dados: leve números, indicadores e informações. Dados convencem qualquer pessoa e mostram que você fez o dever de casa.

2. Mobilização: tirando as pessoas da zona de conforto

Depois que você “fisgou” a atenção e mostrou o valor do turismo (sensibilizou), é hora de transformar interesse em ação. A mobilização é o ato de convidar essas pessoas para participarem ativamente.

É aqui que você começa a chamá-las para reuniões de conselho, fóruns e audiências públicas.

  • Exemplo Prático: você sensibilizou os comerciantes do centro sobre como o turismo pode beneficiá-los. Agora, quando houver uma audiência pública sobre a reforma da praça central, eles entenderão a importância de estar lá para opinar. A pauta deixou de ser “só mais uma audiência” para se tornar algo diretamente ligado ao seu sucesso.

3. Articulação: criando a mesa de decisão

Com as lideranças sensibilizadas e mobilizadas, o próximo passo é formalizar esse engajamento. A articulação consiste em criar ou fortalecer uma instância de governança, como o COMTUR, um fórum de turismo ou um colegiado.

Este é o ambiente onde os assuntos se tornam mais densos e estratégicos. Não é mais apenas uma conversa de 15 minutos, mas um espaço contínuo para planejar, discutir e tomar decisões coletivas.

4. Capacitação: transformando interesse em competência

Turismo não se faz sozinho, e também não se faz com amadorismo. Quando você tem pessoas interessadas à mesa, precisa capacitá-las para que contribuam de forma efetiva.

Identifique as principais “dores” do seu território e promova cursos, oficinas e visitas técnicas sobre temas como:

  • Atendimento ao cliente e hospitalidade.
  • Associativismo e cooperação.
  • Criação e formatação de roteiros turísticos (roteirização).
  • Conceitos básicos sobre o que é turismo (se o nível de maturidade for baixo).

Busque parcerias com entidades como o Senac, Sebrae, universidades e outras instituições de ensino.

5. Participação e cocriação

A melhor forma de gerar pertencimento é envolver as pessoas na construção. A cocriação é o segredo para que os projetos não morram na praia.

  • Exemplo prático (Rota das Capelas): uma gestora de turismo tinha a ideia de criar uma “Rota das Capelas”. Em vez de desenvolver tudo sozinha, ela levou a ideia para o COMTUR e para a comunidade. Ao participarem do mapeamento, da definição do trajeto e da criação das experiências, todos ativaram o senso de pertencimento. A rota deixou de ser “da prefeitura” para ser “da nossa cidade”.

Envolva os agricultores através de órgãos como a Emater ou Epagri para desenvolver produtos de base comunitária. Chame todos para planejar e criar.

6. Apropriação e sustentabilidade: garantindo o futuro

O maior desafio é a continuidade. Gestores públicos são substituídos e lideranças mudam. O que garante que o trabalho continue? A apropriação coletiva.

Lembre-se da frase mais importante para um gestor: “Daqui a pouco, você não vai mais estar nessa cadeira. O plano ou a rota que você criou não é sua, é do município.”

Para garantir a sustentabilidade:

  • Crie mecanismos de monitoramento participativo.
  • Avalie os impactos junto com a comunidade.
  • Empodere os grupos locais para que se tornem os verdadeiros protagonistas.

O turismo é relação

Engajar lideranças locais é um trabalho que exige estratégia, paciência e constância. Não é um evento único, mas um processo contínuo de construir pontes. O turismo é feito de conexões. Ele depende de empatia, escuta, articulação e, acima de tudo, de um propósito coletivo.

Ao seguir essa jornada, você deixará de ser uma voz solitária e passará a ser o maestro de uma orquestra de aliados, todos trabalhando juntos pelo desenvolvimento da sua cidade.

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