
Eu já entrei em dezenas de secretarias de turismo pelo Brasil e vi o mesmo cenário se repetir com uma regularidade que já não me surpreende. O plano municipal existe. Os projetos foram elaborados. As metas foram escritas. Mas quando pergunto como está o andamento, o que a gestão consegue me mostrar são fotos de eventos e recortes de jornal.
Não existem indicadores. Não existe monitoramento. Não existe uma rotina de avaliação do que foi feito, do que funcionou e do que precisa ser ajustado.
Turismo sem monitoramento não é gestão. É aposta. E aposta em gestão pública tem um custo que quem perde não é o gestor. É o destino.
Por que o monitoramento some depois do plano
Existe uma explicação simples para isso. Fazer o plano gera visibilidade. Monitorar não gera nada de imediato. Não tem foto bonita, não tem inauguração, não tem discurso. O monitoramento é trabalho invisível que produz resultados visíveis apenas no médio e longo prazo.
Em um ciclo político de quatro anos, onde os primeiros seis meses são de estruturação e os últimos doze já são de eleição, o período útil para gestão estratégica é curto. E nesse período curto, o gestor geralmente escolhe o que aparece.
O problema é que sem monitoramento, o destino não aprende. Cada nova gestão começa do zero. Os mesmos erros se repetem. Os mesmos projetos que não funcionaram voltam com nomes diferentes. E o desenvolvimento turístico fica girando em torno de si mesmo sem sair do lugar.
O que monitorar e como começar
Monitorar não precisa ser um processo complexo. A maioria dos municípios não precisa de um sistema sofisticado para começar. Precisa de três coisas básicas: definir o que vai medir, estabelecer uma frequência de coleta e criar uma rotina de análise e decisão com base nos dados.
Alguns indicadores simples que qualquer secretaria de turismo consegue acompanhar:
- Número de visitantes nos principais atrativos, pelo menos mensalmente.
- Taxa de ocupação dos meios de hospedagem, disponível via cadastro ou parceria com o trade.
- Participação do setor privado e do terceiro setor nas reuniões do COMTUR.
- Execução orçamentária do turismo em relação ao previsto.
- Número de projetos captados e em execução no período.
Esses dados, coletados com consistência, já permitem que a gestão tome decisões com base em realidade, não em percepção. E permitem que a próxima gestão saiba de onde está partindo, algo que na maioria dos municípios brasileiros simplesmente não existe.
O Ministério do Turismo disponibiliza o Mapa do Turismo Brasileiro com dados de categorização e informações por destino que podem servir como ponto de partida para quem ainda não tem uma estrutura própria de monitoramento. O Observatório do Turismo também oferece dados secundários úteis para quem está começando.
A diferença entre torcida e gestão
Eu costumo dizer que a diferença entre um destino que cresce e um destino que estagna raramente está no potencial. Está na capacidade de aprender com o que foi feito.
Aprender exige registro. Registro exige monitoramento. Monitoramento exige uma decisão intencional de que o desenvolvimento do turismo não vai depender apenas de boa vontade ou de vento a favor.
Um município que não monitora seus indicadores turísticos está, na prática, gerindo no escuro. Pode estar indo bem. Pode estar indo mal. Não sabe. E o que não se sabe não se melhora.
Se o seu município ainda não tem uma rotina de monitoramento em turismo, o momento de começar é agora. Não na próxima gestão. Não depois do próximo evento. Agora, com o que você tem, medindo o que consegue medir.
Eu trabalho com implantação do Sistema Municipal de Turismo e monitoramento estratégico de destinos. Se quiser entender como estruturar isso no seu município, fale comigo.Quer estruturar um sistema de monitoramento para o turismo do seu município? Conheça como a Acordum trabalha com implantação e monitoramento da gestão pública de turismo. Entre em contato e vamos conversar.
