
Quando um empreendedor do turismo está passando por um momento difícil, a primeira explicação que aparece é quase sempre externa. A culpa é da concorrência que cobra menos. Da alta do dólar. Da temporada fraca. Da falta de infraestrutura do destino.
Raramente alguém vira o olhar para dentro.
Eu não digo isso para ser dura. Digo porque é o que eu vejo em campo quando chego em um empreendimento para fazer diagnóstico. A concorrência do lado quase nunca é o problema principal. O problema principal está na forma como o negócio está sendo gerido internamente.
A armadilha do empreendedor que opera mas não gere
Existe um perfil muito comum no turismo brasileiro: o dono que faz tudo. Atende o telefone, recebe o hóspede, resolve o problema da cozinha, posta nas redes sociais, paga as contas e ainda tenta planejar o próximo mês.
Esse perfil produz muito. Mas gere pouco. E a diferença entre fazer o operacional e gerir é exatamente o que separa empreendimentos que crescem de empreendimentos que sobrevivem.
Fazer o operacional é resolver o que está na frente. Gerir é tomar decisões com base em dados, definir estratégia e criar processos que funcionem independentemente de quem está presente. Enquanto o dono está operando 100% do tempo, ninguém está gerindo.
Os três pontos cegos mais comuns
Depois de anos trabalhando com consultoria empresarial no turismo, identifico três pontos cegos que aparecem com mais frequência nos empreendimentos que estão em dificuldade.
- Precificação feita no achismo. A maioria dos empreendimentos turísticos define preço olhando para o concorrente mais barato da região e ficando um pouco acima ou na mesma faixa. Esse modelo ignora os custos reais, a depreciação dos ativos, a sazonalidade e a remuneração do próprio dono como gestor. O resultado é uma operação que parece funcionar quando está cheia e sangra quando a ocupação cai. Sobre esse tema, já escrevi em detalhes no artigo sobre precificação no turismo.
- Dependência total do dono. Quando o negócio só funciona se o dono está presente, o negócio não está estruturado. Está sustentado por uma pessoa. E isso tem um limite físico e emocional que eventualmente é atingido. Estruturar processos, treinar equipe e criar rotinas de operação é trabalho de gestão, não de operação.
- Ausência de planejamento para a baixa temporada. Turismo tem sazonalidade. Isso não é surpresa. Mas a maioria dos empreendimentos chega na baixa temporada sem reserva financeira, sem produto alternativo e sem estratégia para manter o mínimo de fluxo. O resultado é o ciclo clássico: dívida na baixa, fôlego na alta, dívida de novo na próxima baixa.
O que muda quando a gestão entra de verdade
Eu já acompanhei empreendimentos que tinham todos os problemas que descrevi acima e que, com ajuda de um processo estruturado de diagnóstico e planejamento, conseguiram reverter o quadro sem precisar de milagre ou de grande investimento.
O que mudou não foi a localização. Não foi o produto. Foi a forma de gerir.
Preço revisado com base em custo real. Processos documentados para que a equipe funcione sem depender de supervisão constante. Reserva de capital para atravessar a baixa temporada sem endividar. Produto complementar desenvolvido para atrair um perfil de visitante diferente na baixa.
Essas mudanças não são complexas. São trabalhosas. E exigem que o dono pare de fazer o operacional por tempo suficiente para pensar estrategicamente.
O Sebrae oferece recursos gratuitos de diagnóstico e capacitação para pequenos empreendimentos turísticos que podem ser um bom ponto de partida para quem ainda não passou por esse processo.
Empreender no turismo exige mais do que paixão pelo setor
Turismo é um setor que atrai muita gente apaixonada. Pessoas que amam receber, que gostam de criar experiências, que têm prazer em ver o hóspede satisfeito.
Paixão é necessária. Mas não é suficiente.
Empreender no turismo exige gestão financeira, planejamento estratégico, capacidade de formar equipe e, principalmente, disciplina para tomar decisões com base em dados, não em intuição.
Se você está sentindo que o seu negócio não está crescendo apesar de todo o esforço que coloca nele, talvez a pergunta certa não seja como trabalhar mais. Talvez seja como gerir melhor.
Na Acordum, trabalhamos com consultoria empresarial para empreendimentos turísticos que querem parar de sobreviver e começar a crescer com estratégia.
Seu negócio de turismo precisa de uma visão externa e estratégica? A Acordum trabalha com diagnóstico e consultoria empresarial para empreendimentos turísticos. Fale conosco e descubra por onde começar.
