
Uma Instância de Governança Regional pode reunir municípios comprometidos, empresários interessados e lideranças dispostas a trabalhar voluntariamente. Mas, em algum momento, surge uma pergunta inevitável: quem vai pagar as contas da IGR?
Essa foi uma das questões mais presentes na conversa que tivemos sobre a formalização das instâncias de governança regional.
E considero importante tratar do assunto com naturalidade.
Uma organização sem fins lucrativos continua tendo despesas. Precisa administrar recursos, cumprir obrigações e encontrar condições para desenvolver suas atividades.
A ausência de finalidade lucrativa não significa ausência de gestão financeira.
Quais são os custos para manter uma IGR?
Os custos dependem da estrutura e das atividades desenvolvidas.
Uma IGR formalizada pode ter despesas com contabilidade, registros de atos institucionais, serviços administrativos, ferramentas digitais, comunicação e execução de projetos.
Também pode precisar contratar profissionais especializados, dependendo das ações que pretende desenvolver.
Por isso, recomendo que a discussão financeira comece antes de assumir compromissos permanentes.
A região realmente precisa manter uma sede física? Existem estruturas compartilhadas que podem atender às necessidades administrativas? Quais serviços são indispensáveis e quais podem ser contratados conforme a demanda?
Não existe uma estrutura ideal para todas as regiões.
Uma IGR formada por pequenos municípios, com poucos recursos disponíveis, provavelmente precisará de um modelo diferente daquele adotado por uma região com grande participação empresarial e projetos já consolidados.
Mensalidades e anuidades podem sustentar uma IGR?
As contribuições associativas são uma possibilidade de receita, desde que previstas e organizadas conforme o estatuto e as regras aplicáveis.
Mas existe uma pergunta que precisa acompanhar qualquer proposta de cobrança:
O que o associado recebe em troca da sua participação?
Não estou falando necessariamente de benefícios individuais ou financeiros.
A contrapartida pode estar na elaboração de projetos regionais, na organização de informações, na articulação com instituições, no fortalecimento da promoção turística ou na criação de oportunidades de cooperação.
Quando a IGR não consegue explicar o valor que produz, até uma contribuição relativamente pequena pode encontrar resistência.
Por outro lado, quando municípios e empreendedores percebem resultados, a participação financeira passa a fazer parte de uma decisão mais consciente.
No caso de recursos públicos, a situação exige atenção adicional. A possibilidade de repasses, parcerias e instrumentos de cooperação depende da natureza da despesa, da legislação aplicável e das condições da entidade.
A Lei nº 13.019/2014 é uma das referências relevantes para parcerias entre o poder público e organizações da sociedade civil.
Como captar recursos para projetos de turismo?
A captação de recursos é outra possibilidade para viabilizar iniciativas regionais.
Entretanto, não basta identificar um edital e enviar uma proposta.
É necessário compreender os objetivos da chamada, verificar quem pode participar, estruturar o projeto, construir o orçamento e planejar sua execução.
Um erro recorrente é tentar adaptar qualquer ideia a qualquer oportunidade de financiamento.
O processo deveria começar pelo problema que a região precisa resolver.
Imagine uma IGR que identificou dificuldades de comercialização dos produtos turísticos dos municípios associados. Antes de buscar recursos, ela precisa definir quais resultados pretende alcançar, quais atividades serão necessárias e como acompanhará a execução.
Com esse planejamento, a busca por financiadores se torna mais direcionada.
O turismo pode acessar recursos de outras áreas?
Sim, dependendo das regras de cada instrumento.
O turismo se relaciona com cultura, meio ambiente, agricultura, educação, patrimônio e desenvolvimento econômico.
Um projeto de valorização de produtos da agricultura familiar, por exemplo, pode ter conexão com experiências turísticas. Uma iniciativa de preservação cultural pode contribuir para fortalecer a identidade de um destino.
Isso não significa que qualquer edital possa financiar qualquer atividade turística.
Significa que precisamos compreender a transversalidade do setor e identificar oportunidades compatíveis com os objetivos dos projetos.
O próprio Ministério do Turismo disponibiliza informações sobre programas e políticas públicas que ajudam a orientar esse planejamento.
Por que o planejamento financeiro precisa ser coletivo?
Uma IGR que depende permanentemente de uma única pessoa para pagar despesas, organizar documentos e buscar recursos está exposta a riscos.
Se essa liderança se afastar, quem dará continuidade ao trabalho?
A sustentabilidade financeira também depende de governança: decisões transparentes, responsabilidades distribuídas, prestação de contas e planejamento.
É importante construir um orçamento anual realista e definir prioridades compatíveis com a capacidade da organização.
Às vezes, começar com poucos projetos bem executados produz resultados mais consistentes do que assumir compromissos que a IGR não consegue sustentar.
O primeiro recurso de uma IGR é a capacidade de organização
Dinheiro é importante, mas não resolve sozinho problemas de planejamento, participação ou execução.
Antes de buscar grandes investimentos, uma IGR precisa compreender seu papel, conhecer sua realidade financeira e definir quais entregas pretende realizar.
Esse trabalho também facilita a apresentação de propostas a parceiros e financiadores.
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