
O representante do município participa da reunião da Instância de Governança Regional, acompanha as discussões e retorna para sua cidade.
Na semana seguinte, acontece a reunião do Conselho Municipal de Turismo. Mas ninguém comenta o que foi discutido regionalmente.
Os conselheiros continuam tratando apenas das questões locais, enquanto a IGR desenvolve pautas que poderiam interessar diretamente ao município.
Essa desconexão acontece com mais frequência do que deveria.
E levanta uma pergunta importante: como construir uma regionalização forte se as decisões regionais não chegam aos espaços de participação municipal?
Qual é a diferença entre COMTUR e IGR?
O Conselho Municipal de Turismo, conhecido como COMTUR, é um espaço de participação e discussão das políticas públicas de turismo no município.
Sua composição e suas competências dependem da legislação local.
A Instância de Governança Regional, por sua vez, atua na articulação entre municípios e outros representantes do setor turístico de uma região.
Enquanto o COMTUR trabalha a realidade municipal, a IGR permite discutir questões que ultrapassam os limites de uma única cidade.
As duas estruturas possuem funções diferentes, mas complementares.
Para entender melhor essas atribuições, a Acordum já publicou um artigo sobre o papel do COMTUR, da secretaria de turismo e da IGR.
Aqui, quero avançar para uma questão prática: como fazer essas estruturas trabalharem de maneira integrada?
Por que a comunicação entre COMTUR e IGR é tão importante?
Imagine que uma IGR esteja organizando um projeto para fortalecer a comercialização dos produtos turísticos regionais.
Para funcionar, essa iniciativa provavelmente dependerá da participação de empreendedores, gestores e outras organizações de diferentes municípios.
Mas como mobilizar essas pessoas se os representantes locais não compartilham as informações?
O COMTUR pode contribuir para identificar necessidades, apresentar oportunidades e envolver atores do município.
Da mesma forma, as discussões municipais podem ajudar a IGR a compreender dificuldades que se repetem na região.
Essa troca fortalece a capacidade de planejamento.
O Programa de Regionalização do Turismo reconhece a importância da atuação descentralizada e compartilhada para o desenvolvimento turístico.
Na prática, isso depende de relações institucionais que funcionem.
Como aproximar as duas estruturas?
O primeiro passo é criar uma rotina de compartilhamento de informações.
Os representantes municipais que participam das reuniões da IGR podem apresentar ao COMTUR um resumo das decisões, oportunidades e encaminhamentos regionais.
Esse compartilhamento não precisa ocupar toda a reunião.
Pode ser uma pauta permanente, com tempo definido e informações objetivas.
Também é importante fazer o movimento contrário.
Quando o COMTUR identifica uma dificuldade que envolve outros municípios, o assunto pode ser encaminhado à IGR para avaliar a possibilidade de uma ação regional.
Outro cuidado é acompanhar os encaminhamentos.
Não adianta comunicar uma decisão se ninguém sabe quem ficará responsável por executá-la.
O que deve ser discutido no município e o que deve ser tratado regionalmente?
Nem toda demanda precisa chegar à IGR.
Questões relacionadas à organização administrativa municipal, por exemplo, geralmente precisam ser conduzidas pelas estruturas responsáveis no próprio município.
Já desafios compartilhados podem ganhar força quando trabalhados regionalmente.
Pense na organização de roteiros integrados, na qualificação de serviços, na participação conjunta em eventos ou no desenvolvimento de produtos que envolvam diferentes localidades.
Um município pequeno pode não ter estrutura para desenvolver sozinho determinadas iniciativas.
Ao participar de um projeto regional, pode compartilhar esforços e ampliar suas possibilidades.
Isso não significa abrir mão de sua identidade ou de suas prioridades.
Significa reconhecer que algumas oportunidades dependem de cooperação.
A participação do setor privado também precisa circular entre essas instâncias
O turismo não acontece apenas dentro das estruturas públicas.
Meios de hospedagem, restaurantes, atrativos, transportadores, guias e outras atividades econômicas participam diretamente da experiência do visitante.
Por isso, a integração entre COMTUR e IGR também precisa considerar a presença dos empreendedores e de suas organizações representativas.
Quando essas pessoas participam das discussões, ajudam a aproximar o planejamento das necessidades e possibilidades reais do mercado.
A representatividade, entretanto, não pode existir apenas na composição formal dos colegiados.
Ela precisa aparecer nas discussões e nas decisões.
Uma governança regional forte começa nos municípios
Durante a live sobre as IGRs, destaquei uma preocupação que acompanha meu trabalho: muitas vezes esperamos que a região resolva dificuldades que os municípios ainda não conseguiram enfrentar internamente.
Se o COMTUR não participa das discussões, se as informações não circulam e se o município não tem clareza sobre suas prioridades, a articulação regional encontrará obstáculos.
Por isso, considero fundamental fortalecer as duas dimensões.
O trabalho regional precisa fazer sentido para o município. E o município precisa compreender seu papel dentro da região.
Quando essa relação funciona, a governança deixa de ser apenas uma estrutura institucional e passa a contribuir efetivamente para o desenvolvimento turístico.
Sua região precisa melhorar a integração entre COMTURs e IGR?
A Acordum Gestão de Turismo atua no fortalecimento de conselhos e instâncias de governança, com foco em planejamento, organização institucional e articulação entre os participantes.
Conheça nossos serviços e converse sobre como aprimorar a governança turística do seu território.
