COMTUR que só aparece quando tem problema não planeja o destino. Apaga incêndio.

Existe uma diferença enorme entre um conselho que existe e um conselho que funciona. E no Brasil, infelizmente, a maioria dos Conselhos Municipais de Turismo se encaixa na primeira categoria.

Eles estão formalmente instituídos. Têm lei de criação, regimento interno, diretoria eleita. Mas a reunião mensal acontece quando há algum problema urgente para resolver. A pauta é definida na hora. As decisões não geram ações. E na próxima reunião, recomeça.

Isso não é governança turística. É gestão de crise com outro nome.

A diferença entre reagir e planejar

Um COMTUR reativo existe para apagar incêndio. Algum problema aparece no destino, alguém convoca o conselho, discute-se muito, decide-se pouco e aguarda-se o próximo problema.

Um COMTUR estratégico existe para antecipar problemas, definir prioridades de desenvolvimento do destino e articular recursos e parcerias que o poder público sozinho não conseguiria viabilizar.

A diferença entre os dois não está na lei de criação. Está na forma como o conselho se organiza internamente, na qualidade das pautas que constrói e no nível de comprometimento dos seus membros com algo além da cadeira que ocupam.

Por que o COMTUR trava

Quando pergunto para gestores públicos e conselheiros por que o COMTUR não funciona como deveria, as respostas mais comuns são: falta de engajamento do setor privado, mudança constante de representantes públicos, falta de recursos para executar o que é deliberado e pouca clareza sobre o papel do conselho.

Todas essas razões são reais. Mas existe uma que está por baixo de todas as outras: a maioria dos COMTURs não tem um plano de trabalho estruturado.

Sem plano de trabalho, o conselho não tem para onde olhar. Cada reunião começa do zero. Não existe acumulação de resultado, não existe evolução, não existe a sensação de que o trabalho está avançando. E quando as pessoas não sentem que o trabalho avança, param de aparecer.

Como um COMTUR estratégico se organiza na prática

Um conselho estratégico tem algumas características que o diferenciam do modelo reativo. Não é uma questão de recursos ou de tamanho do município. É uma questão de organização e de clareza sobre o papel de cada um.

Um COMTUR que funciona define no início de cada ano, ou de cada gestão, quais são os objetivos que pretende alcançar. Não são metas vagas. São compromissos mensuráveis: quantas reuniões, quantos projetos apoiados, qual a meta de participação do setor privado, quais ações do Plano Municipal de Turismo serão acompanhadas.

Com esses objetivos definidos, cada reunião tem um propósito. A pauta não é improvisada. O tempo é usado para deliberar sobre o que foi planejado, não para descobrir o que vai ser discutido naquele dia.

Além disso, um COMTUR estratégico entende que o seu papel não é executar o Plano Municipal de Turismo. O papel do conselho é acompanhar, articular, cobrar e apoiar. A execução é feita pelos atores do Poder Público e Privado, dependendo da ação. Quando o conselho confunde esses papéis, gasta energia que não é sua e deixa de fazer o que só ele pode fazer.

O COMTUR que o destino precisa

Desenvolvimento turístico territorial não acontece por acidente. Acontece quando existe um arranjo institucional que reúne poder público, setor privado e terceiro setor em torno de objetivos comuns, com clareza sobre quem faz o quê e com capacidade de manter esse arranjo funcionando além de uma gestão ou de uma liderança específica.

O COMTUR é esse arranjo. Quando funciona, é o instrumento mais poderoso que um destino tem para construir desenvolvimento de longo prazo. Quando não funciona, é mais uma reunião que poderia ter sido um e-mail.

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